A “narrativa vitimista” que ora se ensina nas escolas e universidades está estimulando a ansiedade em mulheres jovens, segundo defende uma acadêmica em seu novo livro.

Doutrinas como o “sexismo de cada dia” e “cultura do estupro” têm efeito “debilitante” sobre a confiança das meninas, de acordo com a Dr.ª Joanna Williams, lente em educação superior na Kent University.

As instituições que deveriam estar promovendo os direitos das mulheres – tais como as escolas, universidades e militantes feministas – agora fazem mais mal que bem, defende ela.

Em um novo livro, chamado Mulheres vs. Feminismo: por que precisamos nos libertar das guerras de gênero [trad. livre], a Dr.ª Williams diz que o tipo de feminismo “na moda” hoje envolve dizer às mulheres que misoginia casual e assédio sexual são abundantes.

“Acredito mesmo que há uma narrativa feminista particular que parece dominar na educação”, disse a Dr.ª Williams a The Sunday Telegraph.

“Mas está crescentemente fora de contato com a realidade. As meninas estão se saindo tão melhor na escola do que os meninos, e ainda assim temos gente como as do Everyday Sexism Project [Projeto O Sexismo de Cada Dia] vindo às escolas para trazer uma mensagem de “espere só para ver, há dificuldades reais à frente!”

Ela diz que, se as meninas forem instiladas com uma mentalidade vitimista quando jovens, isto pode atrasá-las na vida. “Quando as mulheres vão ao mercado de trabalho e experimentam obstáculos, em vez de perseverar, pensam ‘oh!, essas são as dificuldades insuperáveis de que ouvi falar’.”

O projeto O Sexismo de Cada Dia foi lançado em 2012 por Laura Bates, como um meio para explicitar misoginia casual publicando online um catálogo de experiências de assédio de mulheres.

A Dr.ª Williams disse que a narrativa continua na universidade, onde as estudantes ouvem que há uma “cultura do estupro”, ou alguma espécie de “epidemia” de assédio sexual no campus.

“É muito difícil as mulheres se apresentarem como poderosas, fortes e capazes se pensarem que precisam ser vigilantes e ansiosas”, disse.

“Então, se alguém lhe fizer um elogio, [dizem] que isso é um ultraje. Dizem que não é uma piada, é um ataque sexual, é ‘o sexismo de cada dia’ ou uma microagressão.”

Prossegue: “Também pode ser trágico. Dei uma palestra na minha universidade e no final uma moça veio até mim dizer que nunca sai do quarto depois de escurecer. Quando você ensina às meninas que elas são vítimas, elas acreditam. Mas isso não condiz com a realidade, e pode ser bem debilitante.”

A Dr.ª Williams disse que essa narrativa do feminismo está datada, uma vez que as meninas hoje têm desempenho escolar melhor que os meninos, e mais mulheres ingressaram no ensino superior do que homens na geração passada.

“Se você recuar 25 ou 30 anos, de fato era verdade que as meninas não se saíam tão bem quanto os meninos, e não tinham a mesma educação e oportunidade”, disse ela.

“Temos boas razões para querer desafiar estereótipos de gênero nas escolas.” A Dr.ª Williams diz que, em vez disso, o feminismo deve agora ser apresentado a uma luz mais positiva, uma vez que “pela primeira vez não há nada impedindo suas carreiras.”

Em Mulheres vs. Feminismo, ela diz que a narrativa feminista dominante de hoje “claramente esposa uma ideia contra todas as outras: as mulheres estão em desvantagem e são oprimidas; vítimas rotineiras do sexismo de cada dia, misoginia casual e maquinações do patriarcado.”

Ela argumenta que quanto melhor se torna a vida das mulheres, “mais difícil fica para uma nova geração de feministas a tentativa de justificar seu propósito revelando problemas mais e mais obscuros”.

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Por Camilla Turner, em The Telegraph, 21 de outubro de 2017.

Tradução: Bruna Frascolla
Revisão: Eli Vieira

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