Quando me tornei anarquista, tinha 18 anos, estava deprimido, ansioso e pronto para salvar o mundo. Mudei-me para junto de outros anarquistas e trabalhei num café cooperativo vegetariano. Protestei contra o endividamento de estudantes, a privatização das penitenciárias e das extensões de gasodutos. Escrevia números de telefone de advogados no meu tornozelo e ajudava amigos que haviam sido atingidos por spray de pimenta em manifestações. Diagramava revistas, vivia com a minha “família escolhida” e declamava poemas de slam poetry sobre o fim do mundo. Enquanto minha comunidade desconstruía o gênero e a monogamia, além de questões sobre saúde mental; vivíamos e respirávamos conceitos e ferramentas como o denuncismo imediato contra qualquer forma de intolerância (call-outs), interseccionalidade, apropriação cultural, alertas de gatilho de crises de transtorno pós-traumático (trigger warnings), lugares seguros (safe spaces), teoria do privilégio e cultura do estupro.

O que é uma comunidade radical? Para os propósitos deste artigo, definirei comunidade radical como aquela que compartilha tanto uma ideologia de insatisfação completa com a sociedade existente devido à sua natureza opressora quanto um desejo de alterá-la radicalmente (ou destruí-la) porque ela não pode ser redimida por suas próprias regras. Ao fim, acabei deixando minha comunidade radical. A ideologia e as pessoas que a compunham me deixaram destruído e desiludido. Conforme me livrava da doutrina, assisti a uma versão diluída da minha ideologia radical explodir academia afora e entrar na moda: observei a esquerda se tornando desconstruída.(1)N. do E.: Nos países anglófonos a nova esquerda usa o adjetivo “woke”, que é uma corruptela de “awake” (acordado, desperto, alerta), como uma marca de aderência ideológica e superioridade moral. Não há um termo completamente análogo em português, mas a mesma comunidade ideológica nos países lusófonos tem usado “desconstruído” como um termo similar.

Alguns comentadores têm alfinetado justiceiros sociais a respeito da toxicidade de sua mentalidade desconstruída. Muitos radicais por toda a América estão cientes disso e estão tentando compreender o fenômeno. O livro Joyful Militancy, de Nicholas Montgomery e Carla Bergman, publicado ano passado, constitui a observação mais minuciosa da radicalidade tóxica desde uma perspectiva radical (tive um breve encontro com Nick Montgomery anos atrás. Minha claque anarquista não gostava da claque anarquista dele). Como ele próprios dizem, “há uma suave subcultura totalitária não apenas no hábito do denuncismo, mas também em como as comunidades progressistas policiam e definem as fronteiras que determinam quem está dentro e quem está fora”.

Montgomery e Bergman veem o radicalismo tóxico como uma questão exógena. Não ponderam a hipótese de o radicalismo ser ele próprio malévolo. Como resultado, as soluções que propõem são abstratas e vacilantes, como “aumentar a sensibilidade e vivenciar situações de maneira mais plena”. Talvez isso seja assim porque as soluções existem todas para além das fronteiras do pensamento radical. Conforme Jonathan Haidt apontou, “a moralidade nos restringe e nos cega”.

 Infelizmente, a toxicidade nas comunidades radicais não é uma falha do sistema. É integral a ele. A ideologia e as normas do radicalismo evoluíram para produzir sujeitos tóxicos, paranoicos e deprimidos. O que vem a seguir é um panorama do que acontece em comunidades que são radicais, apaixonada e sinceramente desconstruídas, como visto da perspectiva de um apóstata.

Alguns comentadores têm observado, de maneira bastante precisa, que a justiça social parece adquirir a forma de uma religião. Isso captura muito bem o significado e a satisfação que eu encontrava em ocupações e protestos. Também mostra como a vida diária nessas comunidades radicais, fora dos festivais desagradáveis, é mundana mas cheia de fé. Como ativista radical, grande parte do meu tempo era devotada ao proselitismo. Não-anarquistas eram como pagãos a serem convertidos por meio de revistinhas e pôsteres em vez de bíblias e batismo. Quando não-radicais ouviam minhas afirmações sobre como nazistas mereciam a morte, que toda a vida havia sido reduzida ao mero espetáculo e que a monogamia era uma construção social capitalista, provavelmente ficavam perplexos em vez de seduzidos.

Em vez de desenvolver um relacionamento com Deus e um reconhecimento das próprias imperfeições, queríamos que nossas famílias e amigos não-anarquistas aprimorassem sua “análise” e reconhecessem a própria cumplicidade com o capitalismo malvado. Conforme meu tempo no anarquismo aumentava, o número de amigos não-anarquistas diminuía. Eles não enxergavam como o mundo era horrível e usavam uma linguagem problemática que revelava uma irremediável política ruim. Frustrado com eles, fechava-me cada vez mais na bolha cinzenta da minha “família escolhida”.

Trent Eady trata do seu próprio radicalismo em Montreal: “quando fiz parte de grupos assim, todo mundo concordava sobre uma suspeitosamente grande quantidade de assuntos”. Quando meus amigos e eu tínhamos discordâncias teóricas, eles tendiam a questões puramente estratégicas ou a minúcias filosóficas. Policiais são humanos? Se dermos atenção aos nacionalistas brancos da cidade, eles ficarão agitados? O poliamor é queer ou privilegiado?(2)N. do E.: “Queer” era uma palavra pejorativa para homossexuais e antes significava literalmente “estranho”. Acadêmicos pós-modernos se apropriaram do termo para designar qualquer pessoa que não se encaixe em rótulos de gênero ou sexualidade, inclusive os minoritários. Também serve para designar, quando convém, as próprias teorias como vistas como estranhas não por críticos, mas por uma comunidade de opressores.

O engajamento profundo e sincero com pontos de vista opostos está fora de questão. O radicalismo é como um clã desconfiado demais de quem está de fora para abandonar o casamento entre primos, e, como uma prole incestuosa, a prole do radicalismo intelectual traz carga genética acumulada. Teorias limitadas devem ser capazes de oferecer explicações cada vez mais cheias de meandros acerca do mundo. Por exemplo, Montgomery e Bergman descrevem o uso da palavra “Império” empregado por Michael Hardt e Antonio Negri, em livro homônimo, tanto como um miasma que “acumula e espalha a tristeza” quanto como uma figura antropomorfizada que “opera para levar os submissos a relações frágeis onde nada tem valor e infundir intimidade por meio da violência e da dominação”.

Nenhuma visão de mundo mapeia a realidade perfeitamente. Porém, quando uma visão de mundo se coloca diante de conhecimento discordante, é possível que ela evolua a partir dele ou que o acomode, ou então que o trate como uma ameaça à sua integridade. Se uma visão de mundo considera todo conhecimento discordante como ameaça, então se trata de uma ideologia. Seus praticantes aprendem a ver a si mesmos como guardiões e não como alguém que busca a verdade. As consequências práticas de uma visão de mundo como essa podem ser devastadoras.

Medo

Quando me tornei anarquista, estava deprimido e era um adolescente ansioso em busca de respostas. O radicalismo explicava essas coisas não a partir de questões biológicas e relacionadas ao estilo de vida, mas como resultados diretos da vida em alienação capitalista. Como afirma Kelsey Cham, “o mundo inteiro se baseia na porra da infelicidade” e “em sistemas capitalistas, onde não somos feitos para sentir alegria”. O radicalismo não apenas afirma que todas as opressões são inter-relacionadas, mas também todo sofrimento. A força que causa a depressão é a mesma que causa a guerra, as agressões domésticas e o racismo. Ao aceitar esse quadro conceitual, me rendi a um foco de controle externo. A ação pessoal é digna de riso num modelo como esse. Então, ao longo dos anos, conforme eu ficava ainda mais infeliz e menos forte como anarquista, tinha uma explicação para isso à disposição.

Há um aspecto superdesenvolvido no radicalismo: o reflexo crítico. Ele é capaz de encontrar opressão por trás de qualquer coisa mundana. De onde vem esse reflexo crítico? O filósofo Paul Ricoeur cunhou o termo “escola da suspeição” para descrever Marx, Nietzsche e Freud e seus esforços em descobrir os significados reprimidos em textos e na sociedade como um todo. Os radicais de hoje em dia herdaram esse instinto de Foucault ou de outros marxistas-nietzscheanos.

Como radicais, vivíamos no que chamo paradigma da suspeição, uma das ideias malignas que surgem como resultado da endogamia incestuosa intelectual. Nós herdamos neuroses “em família” e víamos opressão e exploração insidiosa em todas as relações sociais, sufocando nossa habilidade de nos relacionarmos com os outros ou conosco sem cinismo. Ativistas olham ansiosamente para interações humanas, buscando formas em que atos mundanos escondam dominação. Ver cada interação humana como contendo violência escondida é se tornar uma vítima permanente, pois se a única forma como se vê a si mesmo é como um prego, qualquer coisa se parece martelo.

O paradigma da suspeição deixa os radicais exaustos e torna-os misantrópicos, porque, com um esforço suficiente, qualquer ação ou afirmação pode ser retratada como um esconderijo de privilégio, uma microagressão ou um viés inconsciente. Citado no Joyful Militancy, o professor anarquista Richard Day propõe a “responsabilidade infinita”: “não podemos permitir que sintamos como se já tivéssemos realizado ‘tudo’, que já identificamos todas as situações, estruturas e processos de opressão que existem ‘lá fora’ ou ‘aqui mesmo’, dentro das nossas próprias identidades individuais”. Responsabilidade infinita significa culpa infinita, um tipo de cristianismo sem salvação: ver poder em toda interação é ver pecado em toda interação. Tudo que o ativista pode oferecer para absolver a si mesmo é um esforço de Sísifo, até o esgotamento completo. O resumo oferecido por Eady é ainda mais simples: “tudo é problemático”.

Esse esforço não é dirigido apenas para o eu, mas para outrem também. Nesse sistema, a moralidade e a política estão interligadas, de forma que boa política se torna indicativo de boa moralidade. Montgomery e Bergman expõem essa tendência sem piedade: “Para permanecer pio, o padre deve revelar novos pecados… O novo Outro é o ‘não radical o suficiente’, o liberal, o perpetrador, o opressor”. Isso porque a postura moral de alguém nunca pode ser plenamente assegurada, a melhor forma de tentar assegurá-la é atacando a postura moral de outros. Conforme Montgomery e Bergman apontam, isso é uma atuante e vibrante alternativa ao desencorajamento que persegue radicais após cada derrota na luta contra o capitalismo e o Estado. É assim que claques e joguinhos em busca de status emergem em comunidades radicais que parecem opostas a qualquer hierarquia, isso transforma as pessoas no que Freddie DeBoer apelidou de “arqueólogos da ofensa”.

Amizades e eventos sem profundidade resultam disso. As conversas são tensas e estranhas conforme os radicais se contorcem para evitar o risco de ferirem um ao outro. Como um anarquista, eu não me engajava com indivíduos como indivíduos, mas como porcelana, sempre pensando antes de qualquer coisa no grupo identitário a que pertenciam.

Fugir do paradigma da suspeição é algo dificultado pela falácia do “julgamento de Kafka”: a noção de que oposição a uma ideia radical prova o ponto de vista do radical. Minorias que o questionam internalizaram a opressão e indivíduos livres que o questionam provam a própria culpa. A única coisa que não é alvo da suspeita dos radicais é sua necessidade implacável por suspeita. Como Haidt e Greg Lukianoff apontam a respeito das normas nos campi universitários: “se alguém quer criar um ambiente de raiva perpétua e conflito intergrupal, isso seria uma forma eficaz de fazê-lo”.

Modos de Falhar

As comunidades radicais selecionam tipos de personalidades muito específicos. Atraem pessoas que agem com dedicação, especialmente jovens cientes e preocupados com o sofrimento inerente à existência. Atraem pessoas feridas que buscam por uma explicação para a dor que têm suportado. E esses dois tipos derivam algum sentido para seu sofrimento ao atribui-lo à força que agora se dedicam a opor. Não são mais apenas vítimas, são oprimidos.

Entretanto, comunidades radicais também atraem pessoas que estão apenas procurando um pretexto para serem ilegalistas. O excedente de pessoas vulneráveis e compassivas atrai sádicos e abusadores prontos a explorá-las. O único critério de seleção das comunidades radicais é o da linguagem e da dedicação – se você for capaz de atuar contra o capitalismo em linguagem desconstruída, você está dentro.

Todo grupo de pessoas têm alguma mistura de indivíduos estáveis, vulneráveis e de predadores. O fato de radicais terem uma pobre mistura de todos esses não os condena em absoluto. Contudo, radicais também desprezam as regras há muito duradouras que os protegeriam em favor de regras experimentais. São formados de boas intenções e têm por objetivo resolver problemas reais. Mas intenções não importam caso não se considere os incentivos e a natureza humana.

Abusadores grassam livres em comunidades radicais porque as normas dos radicais são frágeis e fáceis de serem exploradas. Uma cultura de drogas totalmente liberadas e uso de álcool cria as situações pelas quais predadores estão esperando para explorar. A fetichização cultural da violência oferece um passe livre para pessoas violentas e instáveis. A prática do denuncismo público é usada para jogos de poder muito mais que para obter algum resultado realmente construtivo. Radicais dão valor a responder com compaixão e confiança a denúncias de agressão. Todavia, abusadores exploram isso da mesma maneira que crianças se aproveitam de pais e professores – o choro passivo-agressivo se torna uma forma de punir presas ou oponentes. Enquanto normas como “acreditar nas vítimas” são importantes para famílias ou amizades verdadeiras, onde a confiança e a responsabilidade são reais, se tornam armas em comunidades amorfas.

Uma prática em particular ilustra tudo isso muito bem. O processo de responsabilização é a instituição subcultural pela qual os sobreviventes podem fazer exigências dos abusadores e a comunidade deve responsabilizá-los. Os radicais hesitam em denunciar abusadores e estupradores para a polícia por medo de sujeitar seus camaradas ao sistema prisional. Contudo, transformar as vítimas em juízes e júri e amigos compartilhados em executores é a receita perfeita para a injustiça que não satisfaz a ninguém. À luz do valor de verdade instantâneo dado para as alegações de abuso, os processos de responsabilização são a arma estranhamente perfeita para abusadores de fato. Como disse certa vez um autor da revista Broken Teapot: “observei com horror nos últimos anos a linguagem da responsabilização se tornar uma linha de ferente fácil para uma nova geração de manipuladores emocionais. É usada para aperfeiçoar um novo tipo de rebelde predatório – aquele educado na linguagem do sentimentalismo – usando a ilusão da responsabilização como moeda de troca na comunidade”.

O envolvimento com tal tipo de indivíduo é o que finalmente me separou do meu próprio dogmatismo. Ter alguém gritando comigo que, caso eu não admitisse ser um supremacista branco, seus amigos iriam me bater, e que eu deveria pagar pelo “trabalho emocional” dela, era demais para minha ideologia dar conta. A crise interna que isso induziu em mim conduziu à desilusão gradual. No fim das contas, entretanto, isso foi o maior presente que eu poderia pedir.

A Fuga

Qual a alternativa ao radicalismo para o radical desiludido? Seria possível abandonar o projeto e empregar o talento e a energia em outro lugar. Abandonar a seita. Como afirma Michael Huemer, “lutar por uma causa tem custos significativos. Tipicamente, gasta-se uma grande quantidade de tempo e energia, enquanto simultaneamente se impõem custos aos outros, particularmente aqueles que se opõem à própria posição política… Em muitos casos, o esforço é aplicado em gerar uma política que se revela perigosa ou injusta. Seria melhor gastar o tempo e a energia em metas que se sabe serem boas”. Passos lentos e pacientes são mais seguros na direção de um mundo melhor que gestos dramáticos que amiúde se voltam contra si próprios. A conversação é menos romântica que a confrontação, ter um pequeno comércio menos romântico que o Dia de Roubar Alguma Coisa do Trabalho e o mesmo para distribuir canja de galinha em relação ao vandalismo. Se um indivíduo deseja pôr fim ao sofrimento, deveria pensar melhor sobre as razões que o levaram a se juntar a comunidades que glamourizam a violência, a vingança e o anti-intelectualismo. Ao sair de cena, fiquei estupefato ao notar quanto esforço empenhamos em fazer o mundo um lugar mais doloroso e difícil em vez de a serviço da nossa utopia pós-revolucionária.

Radicais deveriam fazer um balanço e notar todo o progresso feito pelas democracias liberais. Como Steven Pinker mostra em seu Os Melhores Anjos de Nossa Natureza, ninguém no Ocidente argumenta mais em defesa de surrar as esposas ou negar às mulheres o voto. As taxas de mortalidade infantil caíram vertiginosamente e os índices de pobreza estão em declínio vertiginoso. Com tendências como essas e outras, o capitalismo liberal se parece menos com a arquinêmesis da humanidade e mais com uma máquina de produzir milagres. Ele até pode ser melhorado pela compaixão e devoção de ex-radicais. Vale a pena dizer que admitir esse progresso não significa que a exploração e a opressão foram resolvidas; mas significa que a atual conjuntura da nossa sociedade é a única que fez progressos concretos em combatê-las.

 Acima de tudo, radicais devem aprender a abandonar falsas verdades. A única maneira de escapar do dogmatismo é resistir à calcificação e à santificação de valores e aprender com a sabedoria de diferentes perspectivas. Conforme argumenta Haidt, há grãos de sabedoria em posições políticas diferentes. Os radicais prestam um desserviço a si próprios ao ver o mundo do pensamento fora da monocultura radical como algo marcado pelo reacionarismo e pelo mal. Há uma rica diversidade de pensamento aguardando se estiverem dispostos a abrir as mentes para ela. Uma das conquistas do liberalismo foi e tem sido a liberdade de expressão como norma, de forma que indivíduos podem tanto compartilhar quanto consumir todo o espectro do pensamento. Toda escola de pensamento nova e desafiadora que descobri depois do anarquismo abalou minha visão de mundo, isso para alguém que antes acreditava que a sabedoria poderia ser encontrada apenas por meio da “luta” ou na esotérica teoria francesa. Mesmo que visões opostas não sejam assimiladas, a habilidade de rivalizar com elas no campo intelectual em vez de silenciá-las é um sinal de que há ali alguém que busca a verdade, não um guardião.

Jovens adultos frequentemente se tornam radicais após se darem conta da imensidão de crueldades e maldade que existem no mundo. Rejeitam uma sociedade que tolera tal sofrimento. Santificam a justiça como seu telos. Porém, sem a verdade para orientar a justiça, aqueles que buscam a justiça entrarão em choque repetidas vezes com a realidade e construirão análises ideológicas delirantes e paranoicas, esgotando ativistas, destruindo vidas com a prisão ou o abuso e tornando o mundo um lugar mais feio e doloroso. Para parafrasear Alice Dreger, não há justiça sem sabedoria, e não há sabedoria sem se entregar à incerteza da busca pela verdade.

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Conor Barnes é estudante, escritor e poeta. Seus textos já apareceram na Areo Magazine e na Mantle. É possível segui-lo no Twitter em @ideopunk. Publicado originalmente em Quillette11 de dezembro de 2018.

Sobre o tradutor: André Assi Barreto é bacharel e mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo, professor de filosofia e história nas redes pública e privada, coautor do livro “Saul Alinsky e a anatomia do mal”. Está no Twitter em @aassibarreto.

Revisão e edição: Eli Vieira

Notas   [ + ]

1. N. do E.: Nos países anglófonos a nova esquerda usa o adjetivo “woke”, que é uma corruptela de “awake” (acordado, desperto, alerta), como uma marca de aderência ideológica e superioridade moral. Não há um termo completamente análogo em português, mas a mesma comunidade ideológica nos países lusófonos tem usado “desconstruído” como um termo similar.
2. N. do E.: “Queer” era uma palavra pejorativa para homossexuais e antes significava literalmente “estranho”. Acadêmicos pós-modernos se apropriaram do termo para designar qualquer pessoa que não se encaixe em rótulos de gênero ou sexualidade, inclusive os minoritários. Também serve para designar, quando convém, as próprias teorias como vistas como estranhas não por críticos, mas por uma comunidade de opressores.

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