SUS britânico banirá homeopatia e fitoterapia por serem ‘desperdício de recursos’

O Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS) anunciou que banirá a homeopatia e a fitoterapia por serem, segundo ele, “mau uso de fundos escassos”.

Nos último cinco anos, o NHS gastou quase £600.000 [quase 2,5 milhões de reais] em tratamentos homeopáticos, apesar do antigo debate sobre a eficácia dos remédios alternativos.

Hoje o NHS da Inglaterra julgou que “no melhor dos casos a homeopatia é um placebo e um mau uso de recursos escassos do NHS que poderiam ser melhor empregados em tratamentos que funcionam”.

Os oficiais de saúde disseram que grupos de licitação clínica com verba limitada não devem mais financiar tais remédios, entre outras 16 classes de tratamento classificadas como de “baixo valor” porque são ineficazes ou poderiam ser compradas facilmente sem receita.

Defensores da homeopatia e da fitoterapia incluem o príncipe Charles; e o secretário da saúde, Jeremy Hunt, está entre os que assinaram moções a seu favor.

O NHS da Inglaterra disse que as mudanças fazem parte de medidas para economizar ao menos £250 milhões ao ano [mais de um bilhão de reais].

Os pacientes terão de pagar por seu próprio tratamento para dúzias de problemas comuns como indigestão, dor de garganta e pé de atleta.

Simon Stevens, executivo chefe do NHS, disse: “O NHS é provavelmente o serviço de saúde mais eficiente do mundo, mas como em todo país ainda existe desperdício e ineficiência que estamos determinados a eliminar”.

“O público espera com razão que o NHS use cada libra de forma sábia, e hoje estamos tomando ações práticas para liberar verbas para gastar melhor em medicamentos e tratamentos modernos”.

Oficiais de saúde disseram que o NHS está gastando cerca de £545 milhões ao ano [mais de R$2,2 bilhões] em tratamentos que estão disponíveis para compra sem receita, embora não tenham esperança de recuperar toda a verba.

Os produtos incluem xarope para tosse, tratamentos para resfriado, colírios, laxantes e loções de filtro solar.

E setores do NHS serão ordenados a não pagar por alguns tratamentos específicos como suplementos de ômega-3, emplastros de lidocaína e analgésicos de fentanil. A revisão cobre cerca de 3200 itens de prescrição como esses.

Oficiais de saúde disseram que muitos deles estão disponíveis para venda sem receita em farmácias, supermercados, postos de gasolina, lojas e estabelecimentos varejistas, muitas vezes por um preço bem mais baixo que o que custam ao NHS.

Sir Bruce Keogh, diretor médico do NHS, disse: “Num momento em que precisamos achar todo o dinheiro que pudermos para fármacos novos e mais eficazes, devemos nos assegurar de que cada libra é gasta com sabedoria. Uma conversa honesta é necessária sobre o que devemos financiar ou não”.

“Precisamos dar um fim aos gastos desnecessários para ter mais resultados para o dinheiro do NHS, então cortamos gorduras e fortalecemos os músculos terapêuticos”.

Oficiais de saúde disseram que os produtos na lista de cortes são “relativamente ineficazes, desnecessários, despropositados ou inseguros para prescrição no NHS”.

O Departamento de Saúde está considerando também cortar gastos em produtos sem glúten.

Grupos de pacientes expressaram preocupação.

Don Redding, diretor do grupo Política nas Vozes Nacionais, disse: “Enquanto alguns tratamentos estão disponíveis para comprar sem receita, isso não significa que todo mundo pode pagar por eles”.

“Haverá categorias distintas de pessoas que dependem dos recursos do NHS para prescrições de remédios que estão disponíveis sem receita. Parar tais prescrições romperia o princípio de um NHS ‘gratuito no momento do uso’ e criaria um sistema em que o acesso a tratamentos é baseado em poder pagar”.

Edzard Ernst, Professor Emérito da Universidade de Exeter, um dos principais críticos da medicina alternativa, disse que a decisão de parar de financiar a homeopatia “já passava da hora”.

“Desde que foi inventada há ~200 anos, a homeopatia tem sido criticada por ir contra a ciência e o bom senso”.

“Já sabíamos há décadas que os estudos mais confiáveis falham em mostrar que os remédios homeopáticos, que são altamente diluídos, são mais que placebos”.

“O NHS tem o dever legal, moral e ético de gastar nossos recursos escassos com sabedoria; não consigo pensar num modo menos prudente de gastá-los que na homepatia”, disse ele.

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Por Laura Donnelly, editora de saúde do Telegraph, no mesmo jornal, 21 de julho de 2017.

Tradução: Eli Vieira

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