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Quando eu era um adolescente, eu tinha antipatia por todos os seguintes: estudantes que não fossem CDF’s, fãs de heavy metal, pessoas que não gostassem de música clássica, drogados, atletas, cheerleaders, todos exceto dois dos meus professores, colecionadores de carros, fãs de esportes, fumantes, quem bebesse, adultos que não fizeram curso superior, crentes religiosos (especialmente cristãos), liberais, conservadores, moderados, pessoas que se entendiassem com filosofia, qualquer um que não jogasse Dungeons & Dragons, pessoas que jogassem Dungeons & Dragons sem atuar em seu papel, Mestres de Jogo de campanhas Monty Haul, pessoas que não gostassem de literatura clássica, qualquer um que planejasse se formar em matemática ou ciência, pessoas que economizassem pouco, pessoas que fossem muito vulgares, pessoas muito sovinas, gays, rapazes com namoradas, punks, proto-góticos, pessoas que fizessem trabalhos manuais, fãs de Cheech e Chong, pessoas com QI baixo, e garotas que namorassem qualquer um da lista anterior.

Eu era, em resumo, um misantropo adolescente.

Por que eu era tão misantropo? Se você tivesse me perguntado na época, eu provavelmente teria dito “porque quase todo mundo é péssimo”. Se você tivesse dito “bem, por que é tão terrível ser qualquer uma dessas coisas?”, eu acho que eu teria simplesmente acrescentado que “pessoas que desafiam a minha misantropia” à minha lista de antipatia.

Felizmente, virtualmente toda a minha misantropia de dissolveu com o tempo. Posso dizer honestamente que, num dia típico, absolutamente ninguém me chateia. A razão, em parte, é que eu construí uma Linda Bolha  para mim mesmo. A principal razão, contudo, é que eu aprendi a sabedoria da tolerância. Sim, as pessoas em sua maioria são bem diferentes de mim. Sim, eu tenho pouco em comum com a maioria delas. Mas por que eu deveria esperar qualquer coisa diferente? A forma como as pessoas vivem suas vidas é da conta delas, não minha.

Se eu pudesse voltar no tempo, o que diria ao meu eu adolescente misantropo? Mais ou menos o seguinte:

  1. Em muitos casos, você está só sendo tolo. Diga “oh, é tão horrível que alguém jogue Dungeons & Dragons errado” ou “oh, é tão horrendo não gostar de ópera” sem rir. Você não consegue, certo?
  2. Em muitos casos, as pessoas não podem mudar o que são. As pessoas não escolhem ter QI baixo. Então entendimento em vez de ódio é o caminho.
  3. E as falhas de caráter nas quais as pessoas podem trabalhar? Na maior parte, as pessoas são as principais vítimas de suas próprias falhas de caráter. Deixe-as em paz que talvez elas aprenderão.
  4. Você tem uma séria falha de caráter na qual você pode trabalhar: a misantropia. E dado o número 3, é você a principal vítima do seu próprio defeito. A maioria das pessoas nem sabem da sua antipatia, embora sua antipatia esteja lhe fazendo infeliz todo dia. Largue seu fardo de rancor, que você vai se sentir bem melhor.
  5. Uma vez que você tenha consertado a sua misantropia, você pode se focar em melhorar a sua vida. Seja construtivo o dia todo, todo dia. Foque-se em como evitar experiências desagradáveis, não em quem condenar. Tome todo o tempo que você gasta ruminando sobre tudo o que você não gosta, e gaste-o fazendo cosias que você gosta.
  6. Se você realmente pensa que somente 1% das pessoas são dignas de conversar contigo, busque esse 1% em vez de lamentar sua escassez. Se você for agradável para com todos, você terá um grupo bem maior para escolher amigos em potencial. Assim você pode aproveitar a vida em vez de reclamar dela.

Meu eu adolescente teria considerado meu eu presente convincente? Sim, na verdade. Eu aprendo lentamente com a experiência, mas aprendo muito rápido com argumentos explícitos. Dadas umas vinte horas de conversa com uma versão mais sábia de mim mesmo, eu teria abandonado a misantropia muitos anos antes da hora.

Pois é, antes tarde do que nunca.

Por Bryan Caplan, 45, economista americano e professor de economia na George Mason University. Original em EconLog, 1º de maio de 2013.

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Tradução: Eli Vieira
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