Por que existe a guerra na Síria? Se você perguntou ao Google, nós respondemos.

Por que existe a Guerra na Síria? Se você perguntou ao Google, nós respondemos.

por Guido Olimpio*, em Corriere della Sera, em 26/10/2016

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WASHINGTON – Síria: um longo conflito, milhares de vítimas, diplomacia que não consegue achar uma solução, muitos atores em cena.

As principais perguntas pesquisadas no Google sobre a Guerra na Síria, respondidas em sequência pra você.


Quando se iniciou a crise?

Em março de 2011 explodiu uma revolta popular contra o regime guiado por Bashar al-Assad. As manifestações de protesto desencadearam uma repressão feroz e a contestação evoluiu para luta armada.

Quem são os Assad?

Os Assad pertencem à comunidade minoritária dos alawitas. Bashar subiu ao poder em 2000 com a morte do pai, Hafez, que se tornou presidente por um golpe em 1970. O herdeiro designado era Basil Assad mas este faleceu em um acidente rodoviário e isto projetou Bashal ao vértice do regime, que conta com apoio de parte da população.

Quem são os rebeldes?

Os rebeldes formam um conjunto heterogêneo. Inicialmente eram desertores do exército que se aliaram a setores da contestação. Hoje operam dezenas de facções nacionalistas, islâmicas, qaedistas e também o Isis. A relação entre essas formações não são sempre fáceis, as alianças são frequentemente alteradas, há confrontos e até combate entre eles. Os pontos fracos são a falta de coesão, a ausência de um projeto comum e uma liderança claramente identificável.

Quem apoia os insurgentes?

Arábia Saudita, Qatar e Turquia sustentam diversos grupos com dinheiro, envio de armas, suporte direto e indireto. Cada um destes países manobra para exercitar seu papel através de títeres locais. Os países ocidentais – especialmente EUA, França e Grã-Bretanha – garantem ajuda a algumas “brigadas” da oposição, mas com muita cautela. Sempre há o temor de escolher o parceiro errado.

Quem apoia o regime?

A Rússia forneceu um contingente militar e dispõe de um par de bases. O Iran, aliado antigo da Síria, enviou conselheiros e recrutou milicianos xiitas no Afeganistão, Pérsia, Líbano e Iraque, que foram enviados para combater junto com as tropas do governo. Também participam o movimento xiita libanês Hezbollah e o Iraque. Teerã considera este conflito como parte daquele mais amplo que opôs xiitas e sunitas. Por esta razão os países do Golfo Pérsico se mobilizaram em favor da insurreição.

Quais são os objetivos dos insurgentes?

Derrubar Assad e o substituir por uma nova forma de governo. Mas sobre o futuro as ideias são diversas e não falta quem deseje o estado islâmico. No passado os países que sustentam a oposição pediram a imediata deposição do ditador, posição esta que foi se amaciando com o tempo: o líder deve sair, mas sem pressa. Há o temor do vazio de poder, portanto se espera alguma forma de transição.

Quais são os objetivos de Assad?

Plano A: reconquista de todo o território sírio.
Plano B: criação de um estado que compreenda os principais centros urbanos e a área litorânea.

Há evidentes riscos de cisão do país, em particular no setor norte, na fronteira com a Turquia. Aqui os guerrilheiros curdos apostam nisso, reforçando seus territórios. E para isto manobram procurando apoio dos EUA – que garantem assistência militar, com os russos e em algumas zonas ainda com o regime. São relações fluidas: Damasco não quer a fragmentação e em algumas áreas combatem os curdos.

Quais são os objetivos da Turquia?

Criar uma faixa de segurança no norte da Síria com dois objetivos: impedir o nascimento de uma entidade autônoma curda e dispor de um trampolim controlado pelos rebeldes pró-turcos para influenciar o futuro da Síria. Nos últimos meses as relações com os russos mudaram. Estavam à beira da guerra, mas agora ocorre uma aproximação, talvez contemporizadora e tática. Tudo muda rapidamente, dependendo da área geográfica e do momento.

Quais são os objetivos da Rússia?

  1. Proteger o aliado sírio.
  2. Estender a sua presença militar na região.
  3. Aumentar seu peso no Mediterrâneo oriental.
  4. Refrear as ambições turcas e contrastar o papel dos EUA.

Por isto a presença de tropas na Síria e o grande dispositivo aeronaval. O verdadeiro adversário do Kremlin são os rebeldes, o Isis vem em um segundo momento. A intenção é de instigar os rebeldes ao extremo de modo a negar a possibilidade da existência de uma alternativa palatável ao regime. Na verdade, a ação do Kremlin não salvou Assad mas lhe permitiu recuperar muito terreno às custas do adversário.

Quais são os objetivos dos EUA?

Luta contra o Estado Islâmico e influenciar, por via da rebelião, o futuro da Síria. O governo de Obama, porém, é prudente e a Casa Branca quis evitar um envolvimento maciço. Os americanos dispõem de dois postos avançados na área curda, dos quais lançam operações contra o Califado. Além do Isis, atacaram os quesiatas de al Nasra.

Quais são os objetivos do Isis?

A defesa da área do Califado, mantendo, se possível, a continuidade territorial entre o nordeste da Síria e o Iraque. Os homens de Baghdadi controlam duas localidades: Raqqa e Deir ez Zour. No conflito sírio combatem os rebeldes, EUA, os curdos e o regime

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Tradução: Pedro Patrício | Revisão: Alysson Augusto


Jornalista do Corriere della Sera, de Washington DC. Seus interesses profissionais dizem respeito a terrorismo, contrabando, Oriente Médio, narcotráfico, guerras e piratas.

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